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Música, cinema e Netflix
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quarta-feira, 12 abril 2017
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Música, cinema e Netflix

 

Por Daianne Monteiro e Daniel Silva

Consegue imaginar uma projeção cinematográfica sem uma trilha sonora? Nos dias atuais, essa perspectiva causaria, no mínimo, estranhamento. Isto porque a música acompanha o ser humano em praticamente todas as suas ações cotidianas, o que incluem cinema, TV e teatro.

O cinema surgiu em 1895, com os irmãos Lumière e, mesmo naquela época, sem os atuais recursos tecnológicos para sincronizar áudio e vídeo, os produtores utilizavam alternativas sonoras para criar climas narrativos. Podiam ser vistos pianistas nas salas de concerto improvisando um repertório ou, em casos específicos, orquestras inteiras tocando muitas vez com partituras próprias para os filmes - o que conhecemos hoje como trilha original.

De lá pra cá, muita coisa aconteceu. A forma como a música e o cinema se encontraram é fascinante e poderíamos discorrer muito a respeito, porém, iremos focar nos dias atuais e no privilégio que temos de assistir uma produção cinematográfica e nos emocionarmos de diversas maneiras com a trilha proposta. Para isso, ao longo de algumas semanas listaremos filmes e falaremos sobre suas trilhas, priorizando a temática de música eletrônica e suas ramificações.

Melhor que as indicações é saber que estão todos no Netflix! Então, preparem a pipoca e o edredom porque essa matéria é puro amor! Vamos começar?

1. Berlin Calling (2008)

De cara, temos uma produção alemã digna de premiação.

Dirigido por Hannes Stöer, Berlin Calling traz a história de um DJ e produtor que vê sua carreira quase ruir pelo uso abusivo de drogas. O DJ alemão Paul Kalkbrenner incorpora o personagem principal (Martin Karow) em sua luta de auto conhecimento e afirmação no mercado. O filme traz questões importantes sobre a relação entre arte e drogas, além de reforçar o papel de produtores e gestores culturais. A trilha sonora (fantástica) foi composta pelo próprio Kalkbrenner, com participações de seu irmão Fritz Kalkbrenner e do DJ e produtor Sascha Funke (este último que teve passagem pelo 5uinto em setembro de 2013, na edição 313). Numa ordem crescente, a música acompanha os personagens e seus conflitos e decisões com maestria.
Na época de exibição do filme, o CD com trilha sonora chegou a vender 140 mil cópias. O filme também concorreu a quatro categorias no German Film Festival de 2009, sendo elas: melhor filme, melhor roteiro, melhor música e melhor edição.

2. Trainspotting (1996)

Não tem como falar de música eletrônica e cinema e não mencionar este que, certamente, foi um marco para toda uma geração. Aclamado pela crítica, cultuado pelos fãs, Trainspotting é atemporal. Dirigido pelo premiadíssimo Danny Boyle, o filme conta a história de quatro amigos que vivem num subúrbio escocês e são viciados em heroína. A narrativa pelo olhar de Renton (Ewan McGregor), capta cada segundo da nossa atenção e nos faz sentir na pele todos os momentos de angústia, alegria e desespero dos personagens.

A trilha sonora foi lançada pela gravadora EMI Records. Ter gente do nível de David Bowie, Iggy Pop, New Order, Lou Reed, Primal Scream e Underworld em um único mote, não é para amadores. A revista Rolling Stones elegeu a soundtrack de Trainspotting como uma das 25 melhores de todos os tempos (merecidíssima, inclusive).

Este ano, pouco mais de duas décadas após seu lançamento, Trainsppoting ganhou uma continuação e com uma nova trilha sonora igualmente sem palavras!

3. I Will Sleep When I'm Dead (2016)

Você pode não gostar, mas não dá para torcer o nariz para a importância que Steve Aoki tem no mercado da Electronic Dance Music. O documentário dirigido por Justin Krook, mostra como este DJ e produtor chegou ao estrelato, ao ponto de realizar 300 shows por ano (!), além de trazer para os fãs características da vida pessoal de Aoki.

Artistas que transformaram a cena indie-rock, dance-punk, post-britpop e electro-house no início dos anos 2000 como MSTRKFRT, The Bloody Beetroots, Dada Life e Bloc Party, figuram na cartela da Dim Mak, gravadora de Aoki.

A trilha sonora do documentário traz tracks de alguns destes artistas além de apostar nas músicas autorais do DJ e produtor (claro!).

4. Belgica (2016)

Do diretor Felix Van Groeningen, o filme narra a história dos irmãos Jo e Frank (Stef Aerts e Tom Vermeir) que mesmo não tendo nada em comum, resolvem dividir a gerência de um bar chamado Belgica. O processo de transformação do bar em um club e a fama alcançada esbarra na completa rivalidade existente entre os irmãos e nos devaneios que a vida noturna proporciona.

O duo belga Soulwax, que também lidera o projeto 2Many DJs, são os responsáveis pela produção e gravação de toda a elogiada trilha sonora do filme, que possui um fato curioso: as 16 músicas que a compõe foram produzidas pela dupla, sendo lançadas por bandas fictícias criadas especialmente para o longa e que atuam no club durante o filme.

Embora sejam bandas fictícias, cada uma tem uma história de fundo e sua própria personalidade e, como tal, cada canção tem sua identidade e é tão autêntica quanto possível.

O disco é um verdadeiro passeio por sonoridades diversas, como synth-pop, hardcore, punk e acid house. Em “The Best Thing” temos traços de Daft Punk e LCD Soundsystem, “Got Any Chris Rea?” nos traz um pouco de INXS, “Nine Thousand Eyes” soa como David Bowie nos anos 70 e “Nothing” conta com a participação do brasileiro Igor Cavalera, da banda Sepultura.

Uma boa trilha sonora deve ser diversificada, misturar gêneros sem que você perceba e ainda trabalhar como um álbum, e "Belgica" faz exatamente isso. Vale lembrar que o filme se passa na cidade de Gante, na Bélgica, de onde o Soulwax é originário.

5. Projeto X (2012)

Dirigido por Nima Nourizadeh (seu primeiro longa metragem), o enredo acompanha Thomas, Costa e JB (Thomas Mann, Oliver Cooper e Jonathan Daniel Brown), três amigos que planejam alcançar popularidade em sua escola com uma festa de aniversário que rapidamente foge do controle. Todo o longa é apresentado como um vídeo caseiro da perspectiva de um dos atores, usando uma câmera para documentar os eventos da noite e foi parcialmente baseado na festa oferecida por Corey Worthington, na Austrália. O então adolescente postou o endereço da sua casa no MySpace e atraiu cerca de 500 pessoas, causando um prejuízo de 20 mil dólares em danos materiais. O filme inclusive já foi tema de inspiração para uma festa em Houston, que causou a morte de um adolescente.

A trilha lançada pela gravadora WaterTower Music é considerada um dos pontos altos do filme e abrange uma ampla lista de gêneros e vertentes como rock, hip-hop, house, drum and bass, indie e EDM. Com faixas remixadas de artistas como Shiny Toy Guns, Kid Cudi e Yeah Yeah Yeahs, a trilha de Projeto X é um personagem como os próprios atores. O disco estreou no top da Billboard USA já em 23º lugar, chegando a alcançar o 3º posto da lista. Composta por 13 músicas lançadas na compilação oficial, o filme ainda conta com a canção “Marina do Bairro” de autoria do grupo de funk carioca Bonde do Rolê.

To be continued...

joaokomka

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